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Flávio Bolsonaro recua e altera carta após se declarar “verdadeiro presidente eleito do Brasil”

Publicado em 28/10/2026 22h03 · Por

Senador divulgou uma nova versão do documento nesta quarta-feira (28), substituindo a expressão “presidente eleito” por “líder”. Mudança ocorreu após sua chegada aos Estados Unidos e repercutiu entre dirigentes do Partido Liberal.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma nova versão de uma carta direcionada à população brasileira e à comunidade internacional. No documento original, o parlamentar se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas posteriormente modificou o texto e passou a se definir como “líder do Brasil”.

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A alteração ocorreu poucas horas depois da divulgação da primeira versão da carta, que provocou repercussão política por contestar o resultado das eleições presidenciais de 2026, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo a Jovem Pan, Flávio realizou alterações em pelo menos dois trechos do documento nos quais se identificava como presidente eleito. Na versão publicada posteriormente em suas redes sociais, as referências foram substituídas pela palavra “líder”.

Primeira carta apresentava Flávio como presidente eleito

A primeira versão do documento foi divulgada nesta quarta-feira e continha uma declaração na qual Flávio Bolsonaro reivindicava para si a condição de vencedor da eleição presidencial.

O texto foi apresentado como uma manifestação direcionada tanto aos brasileiros quanto à comunidade internacional.

Além de se declarar presidente eleito, Flávio questionou a legitimidade do resultado das urnas e fez acusações de irregularidades no processo eleitoral.

As alegações do senador, entretanto, não foram acompanhadas de provas que demonstrassem fraude na votação ou na apuração dos votos.

Após a repercussão, uma nova versão começou a circular, retirando as expressões que apresentavam o parlamentar como vencedor oficial da eleição.

Nova versão substitui “presidente eleito” por “líder”

Na carta revisada, Flávio Bolsonaro deixou de reivindicar diretamente o cargo de presidente da República e passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.

A mudança foi realizada em diferentes partes do documento, incluindo o trecho de apresentação do senador.

A alteração não significa necessariamente o reconhecimento formal da derrota eleitoral, uma vez que o parlamentar continuou apresentando críticas ao processo eleitoral brasileiro.

O documento também aponta a intenção de Flávio de manter sua atuação política e liderar a oposição ao governo Lula.

Partido Liberal afirma que não tinha conhecimento da carta

A divulgação do documento também surpreendeu integrantes do Partido Liberal.

De acordo com informações publicadas pela Jovem Pan, dirigentes da legenda afirmaram que não haviam sido informados previamente sobre a elaboração e a publicação da manifestação.

Procurado pela reportagem, o partido informou que ainda não possuía um posicionamento oficial sobre o conteúdo.

A direção do PL havia reconhecido o resultado das eleições presidenciais na segunda-feira (26), dois dias antes da publicação da carta.

O posicionamento institucional da legenda, portanto, não acompanhou a declaração inicial de Flávio Bolsonaro, que se apresentou como vencedor do pleito.

Rogério Marinho atribui alteração a problema na elaboração do documento

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, comentou a repercussão do documento.

Segundo Marinho, a utilização da expressão “verdadeiro presidente eleito” pode ter ocorrido por um problema durante a elaboração da carta.

O parlamentar afirmou que a manifestação oficial de Flávio é a versão publicada em suas próprias redes sociais, na qual ele se apresenta como líder político.

Marinho também defendeu a possibilidade de Flávio continuar exercendo um papel de liderança na oposição brasileira, mesmo estando nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com a família

A divulgação da carta ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.

A viagem aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes do senador e impor restrições à sua saída do território brasileiro.

Na segunda-feira (26), Flávio havia declarado publicamente que não deixaria o Brasil, apesar das medidas judiciais determinadas contra ele.

Entretanto, dois dias depois, sua chegada aos Estados Unidos foi noticiada pela imprensa.

O episódio ampliou os questionamentos sobre o cumprimento da decisão judicial e sobre os próximos passos do parlamentar.

Donald Trump evita reconhecer declaração de Flávio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi questionado nesta quarta-feira sobre a declaração inicial de Flávio Bolsonaro, na qual o senador se apresentava como presidente eleito do Brasil.

Trump afirmou que não pretendia se envolver na controvérsia.

O presidente norte-americano também declarou que não havia tomado posição sobre o resultado das eleições brasileiras, embora tenha criticado o tratamento recebido pela família Bolsonaro.

A manifestação não representou reconhecimento da reivindicação eleitoral feita por Flávio.

Carta amplia debate sobre futuro político de Flávio Bolsonaro

A divulgação e a posterior alteração do documento ocorreram em um momento de reorganização das forças políticas brasileiras após o segundo turno das eleições presidenciais.

Enquanto o Partido Liberal reconheceu o resultado oficial, Flávio Bolsonaro continuou apresentando críticas ao processo eleitoral e sinalizou a intenção de liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.

A mudança na redação da carta reduziu o alcance da declaração inicial, mas não encerrou os questionamentos políticos provocados pelo episódio.

Até o momento, o resultado oficial das eleições permanece inalterado, e a reivindicação inicial de Flávio Bolsonaro não possui reconhecimento institucional.

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