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CRISE NO PARAGUAI: Presidente Santiago Peña pede mais 72 horas para se defender de impeachment

Publicado em 06/11/2026 10h53 · Por

Presidente afirma que recebeu centenas de páginas de acusações e teve menos de 12 horas para preparar sua defesa. Crise bancária que deixou milhões de pessoas sem acesso ao dinheiro provoca tensão política no país.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou nesta sexta-feira (6) uma prorrogação de 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment que tramita no Congresso Nacional. O pedido ocorre em meio a uma grave crise política e financeira, desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que atendia milhões de paraguaios.

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Peña questiona o prazo concedido pelos parlamentares para responder às acusações. Segundo o presidente, ele recebeu a notificação na noite de quinta-feira (5), acompanhada de uma extensa documentação, e teria menos de 12 horas para apresentar seus argumentos.

O Senado paraguaio havia programado para esta sexta-feira a continuidade do julgamento político que poderá resultar na destituição do chefe de Estado.

Presidente reclama de prazo insuficiente para apresentar defesa

Em uma manifestação publicada nas redes sociais, Santiago Peña informou que solicitou formalmente mais três dias para organizar sua defesa.

De acordo com o presidente, a notificação foi entregue às 22h15 de quinta-feira, acompanhada de uma peça acusatória de 15 páginas e aproximadamente 300 páginas de documentos anexos.

Peña argumenta que o período disponibilizado não permite analisar adequadamente as acusações nem preparar uma resposta completa.

O chefe de Estado defende que qualquer processo capaz de resultar em punição precisa garantir o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao acompanhamento de um advogado.

Ele também afirmou que pretende apresentar sua versão dos acontecimentos à população paraguaia.

Crise bancária atinge milhões de paraguaios

O processo de impeachment está relacionado à crise envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai.

O banco enfrentou uma grave deterioração financeira, provocando o congelamento de depósitos e deixando aproximadamente três milhões de clientes com dificuldades para acessar seus recursos.

A situação provocou protestos em diferentes regiões do país, especialmente na capital, Assunção.

Manifestantes passaram a cobrar explicações das autoridades, responsabilização pelos problemas financeiros e medidas para garantir a recuperação do dinheiro dos correntistas.

O agravamento da crise aumentou a pressão sobre o governo e desencadeou questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização bancária.

Câmara dos Deputados aprovou abertura do impeachment

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, na quinta-feira (5), a abertura do processo de impeachment contra Santiago Peña.

A decisão contou com o apoio dos 78 parlamentares presentes, incluindo integrantes da própria base governista.

Com a aprovação, o processo foi encaminhado ao Senado, responsável pelo julgamento político e pela decisão sobre uma eventual destituição.

Para que o presidente seja afastado por impeachment, é necessária a aprovação de dois terços dos integrantes do Senado, o equivalente a 30 dos 45 parlamentares.

A abertura do procedimento não significa uma condenação automática, já que o presidente possui direito de apresentar sua defesa antes da decisão final.

Peña anunciou renúncia, mas continua no cargo

Em meio à pressão política, Santiago Peña anunciou na quinta-feira sua intenção de renunciar à Presidência do Paraguai.

Entretanto, a saída não foi formalizada pelo Congresso.

Uma sessão destinada a analisar o pedido acabou suspensa após parlamentares governistas deixarem o plenário, provocando falta de quórum.

Com isso, Peña permaneceu na Presidência enquanto o Senado deu continuidade aos procedimentos relacionados ao impeachment.

A situação criou um cenário de indefinição institucional, já que a renúncia anunciada e o processo de destituição seguem caminhos políticos diferentes.

Investigações apuram possíveis irregularidades financeiras

A crise também levou à abertura de investigações sobre a atuação do Ueno Bank e suas relações com agentes públicos.

Santiago Peña manteve participação societária no grupo controlador da instituição até março de 2025.

Parlamentares da oposição questionam possíveis conflitos de interesses e decisões relacionadas à fiscalização do setor financeiro.

As suspeitas ainda dependem de investigação e análise das autoridades competentes, sem representar comprovação de responsabilidade criminal do presidente.

O caso também provocou mudanças no setor financeiro paraguaio e ampliou a cobrança por medidas de proteção aos correntistas prejudicados.

Senado deverá decidir sobre pedido de prazo

A solicitação de 72 horas apresentada por Santiago Peña ainda depende de análise das autoridades parlamentares.

Caso o pedido seja aceito, a apresentação da defesa poderá ser adiada para permitir a análise da documentação.

Se for rejeitado, o processo poderá continuar conforme o calendário estabelecido pelo Senado.

Até a manhã desta sexta-feira (6), não havia confirmação de uma decisão definitiva sobre o pedido de prorrogação ou sobre a destituição presidencial.

A crise no Paraguai segue mobilizando parlamentares, autoridades financeiras e milhares de cidadãos afetados pelo bloqueio dos recursos bancários.

O desfecho dependerá tanto das decisões do Congresso quanto do andamento das investigações sobre o colapso do Ueno Bank.

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