Juros elevados, piora das expectativas e aumento da inadimplência acendem alerta; economistas veem risco de recessão, mas projeções apontam crescimento do PIB
Ministério da Fazenda reduz previsão do PIB em 2026 | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Siga no Google DiscoverPriorizar nos meus resultados GoogleO risco de uma recessão no Brasil em 2027 aumentou nas avaliações de economistas e instituições financeiras diante da desaceleração da atividade econômica, dos juros elevados e da piora das expectativas para as contas públicas.
O cenário ganhou força após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja condução da política fiscal no próximo mandato levanta dúvidas de investidores.
Apesar do alerta, a recessão ainda não é o cenário base do mercado. Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central em 3 de novembro, a projeção mediana de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2027 passou de 1,31% para 1,20%. A expectativa, portanto, continua sendo de expansão da economia, embora em ritmo mais fraco.
Para economistas ouvidos pela reportagem, o principal risco é a combinação de uma economia já enfraquecida com a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo para conter a inflação e a desvalorização do real com a falta de sinalização da política fiscal durante o Lula 4.
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O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, avalia que o cenário econômico piorou após a eleição, com a deterioração das expectativas para inflação, câmbio e juros.
Segundo ele, antes da mudança das expectativas, havia espaço para o Banco Central continuar reduzindo a Selic. A reação dos mercados, porém, tornou esse movimento mais difícil e aumentou a possibilidade de a política monetária permanecer restritiva em 2027.
"Essa piora nas expectativas, um juro que não cede, uma inflação que permanece elevada, um câmbio que deprecia", afirma Vale, ao listar os fatores que podem aprofundar a desaceleração.
O economista destaca que o país já apresenta sinais de perda de ritmo e que os consumidores chegam ao próximo ano com elevado comprometimento da renda e problemas de inadimplência.
Na avaliação de Vale, a ausência de medidas fiscais concretas pode agravar a piora das expectativas e abrir espaço para uma recessão em 2027.
O economista-chefe da Genial Investimentos, José Camargo, também considera elevado o risco de contração econômica caso o governo mantenha a orientação fiscal do mandato anterior.
"Eu acho que existe uma grande probabilidade, se o presidente Lula repetir o mandato dos últimos quatro anos, de a gente caminhar para uma recessão", afirma.
O risco maior, em sua avaliação, seria uma contração mais forte e duradoura da produção, com consequências para o emprego e a renda.
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O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou, durante teleconferência de resultados, que as perspectivas econômicas para o próximo ano se deterioraram. "Quando a gente olha o cenário de 2027, as condições econômicas são piores", diz.
Maluhy citou as revisões das projeções para o PIB, a possibilidade de aumento do desemprego e a perspectiva de juros restritivos por um período mais prolongado.
Segundo ele, as famílias já apresentam um comprometimento elevado da renda, enquanto as empresas precisam refinanciar dívidas em condições mais caras.
O executivo afirmou ainda que a incerteza econômica já tem provocado redução da demanda por crédito, especialmente entre grandes companhias, que passaram a adiar investimentos e a buscar empréstimos com prazos mais curtos.
A cautela também aparece entre gestores de investimentos.
Marcus Codeceira, integrante da equipe de gestão de fundos estruturados da Yards Asset, afirma que a gestora ainda avalia os desdobramentos do cenário político e econômico antes de estabelecer uma perspectiva definitiva sobre uma eventual recessão.
"Juros elevados são um problema, porque o crédito mais caro reduz investimentos, consumo e a expansão das empresas", afirma.
Além do custo do crédito, Codeceira destaca o aumento das recuperações judiciais, especialmente entre companhias mais endividadas, como um dos fatores de preocupação. Segundo ele, esse movimento já afeta o setor do agronegócio e aumenta a cautela dos credores.
A evolução das contas públicas aparece como uma das principais variáveis capazes de determinar se a economia brasileira terá apenas um período de crescimento mais fraco ou uma contração mais intensa em 2027.
Fonte: SBTNews (reprodução autorizada mediante citação da fonte).
