Deputado federal eleito pelo PT acionou a Procuradoria-Geral da República alegando risco de fuga do parlamentar do PL. Nikolas reagiu às acusações, criticou o pedido e afirmou que não existe justificativa para a medida.
O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, solicitou nesta terça-feira (27) à Procuradoria-Geral da República (PGR) que avalie a possibilidade de apreender o passaporte do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido também prevê a adoção de medidas para impedir que o parlamentar deixe o território brasileiro.
A iniciativa ocorreu após a repercussão da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, dois dias depois de sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo Pedro Rousseff, existe a possibilidade de Nikolas Ferreira deixar o Brasil para evitar responder a procedimentos criminais. A suspeita, no entanto, foi apresentada pelo petista sem comprovação pública de que o deputado esteja planejando uma viagem para fugir da Justiça.
Pedro Rousseff aciona Paulo Gonet e cita investigação contra Nikolas
A solicitação foi encaminhada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável por avaliar a necessidade de eventuais providências relacionadas ao caso.
No documento, Pedro Rousseff menciona um procedimento criminal aberto pela PGR contra Nikolas Ferreira por suspeita de injúria ao presidente Lula, relacionada a declarações feitas em julho de 2024.
O deputado eleito argumenta que a existência de procedimentos criminais, somada à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, justificaria a análise de medidas preventivas contra o parlamentar mineiro.
Pedro também acusa integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem de maneira coordenada para evitar possíveis consequências judiciais.
As afirmações representam acusações do deputado eleito e ainda dependem de avaliação das autoridades competentes.
Saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos motivou pedido
A movimentação de Pedro Rousseff aconteceu depois que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes.
A decisão judicial foi adotada após a derrota de Flávio na eleição presidencial realizada no domingo (25).
O episódio provocou repercussão política e levou integrantes de diferentes partidos a se manifestarem sobre a saída do senador do território brasileiro.
Na justificativa apresentada à PGR, Pedro Rousseff citou esse acontecimento como um exemplo do risco que, em sua avaliação, poderia existir em relação a Nikolas Ferreira.
Entretanto, a situação jurídica de cada parlamentar deve ser analisada individualmente, e a saída de Flávio Bolsonaro não comprova uma eventual intenção de fuga por parte de Nikolas.
Nikolas Ferreira reage e critica pedido de apreensão do passaporte
Após a divulgação da solicitação, Nikolas Ferreira publicou um vídeo nas redes sociais para rebater Pedro Rousseff.
O deputado afirmou que estava em casa, acompanhando os acontecimentos políticos após o segundo turno das eleições presidenciais, quando tomou conhecimento do pedido.
Durante a manifestação, Nikolas chamou Pedro Rousseff de “imbecil” e “jacu” e questionou os motivos apresentados para a tentativa de retenção de seu documento.
O parlamentar argumentou que não existe justificativa concreta para restringir sua liberdade de viajar e acusou o adversário político de utilizar o episódio para ganhar visibilidade.
Nikolas também classificou a iniciativa como uma tentativa de perseguição política e criticou a postura de integrantes da esquerda em relação aos seus opositores.
Deputados mantêm histórico de confrontos políticos em Minas Gerais
Pedro Rousseff e Nikolas Ferreira representam campos políticos opostos em Minas Gerais e já protagonizaram divergências públicas.
Atualmente vereador de Belo Horizonte e eleito deputado federal pelo PT, Pedro Rousseff tem ampliado sua atuação no debate político nacional.
Nikolas Ferreira, por sua vez, é deputado federal pelo PL e figura entre os principais representantes da oposição ao governo Lula nas redes sociais.
O novo episódio amplia a disputa entre os dois políticos, desta vez envolvendo a possibilidade de adoção de medidas judiciais contra o parlamentar do PL.
Apreensão do passaporte ainda depende de análise das autoridades
Apesar do pedido encaminhado à Procuradoria-Geral da República, não há confirmação de decisão judicial determinando a apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira.
A solicitação de Pedro Rousseff não produz automaticamente qualquer restrição de viagem.
Para que uma medida dessa natureza seja aplicada, é necessária uma análise jurídica fundamentada, com a demonstração dos requisitos previstos na legislação.
A existência de uma investigação criminal também não significa, isoladamente, que o investigado esteja impedido de deixar o país ou que tenha cometido um crime.
O caso permanece no campo das manifestações políticas e do pedido encaminhado à PGR, enquanto não houver decisão oficial sobre eventuais providências.
Com a reação de Nikolas Ferreira, o episódio ganhou novos desdobramentos e ampliou a repercussão da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

