Declaração do senador provocou desconforto nos bastidores do governo Donald Trump. Apesar de autorizar sua entrada nos Estados Unidos, presidente americano afirmou que não pretende interferir na disputa política brasileira.
A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” provocou desconforto entre integrantes do governo dos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (29) pela correspondente Patrícia Vasconcellos, do SBT News, a administração do presidente Donald Trump considera inviável que o parlamentar reivindique a Presidência brasileira enquanto permanece em território norte-americano.
O episódio ocorreu após Flávio divulgar uma carta direcionada aos brasileiros e à comunidade internacional, na qual contestou o resultado das eleições presidenciais de 2026, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na primeira versão do documento, divulgada na quarta-feira (28), o senador se apresentou como presidente eleito. Poucos minutos depois, uma nova versão foi distribuída à imprensa, substituindo a expressão por “líder do Brasil”.
A alteração chamou a atenção de integrantes da administração norte-americana, que acompanham os desdobramentos políticos provocados pela chegada de Flávio e seus familiares aos Estados Unidos. <Cite ref=”turn970748view0″/>
Governo Trump demonstra preocupação com declaração de Flávio
Segundo a coluna Direto da Casa Branca, do SBT News, um integrante da administração Trump teria manifestado, em uma conversa reservada, que o governo americano não deseja que Flávio Bolsonaro se apresente como presidente de fato do Brasil.
A avaliação ocorre em meio às discussões internas sobre como conciliar o acolhimento da família Bolsonaro com a manutenção das relações diplomáticas entre Washington e Brasília.
Apesar de ter autorizado a entrada do senador no país, o governo norte-americano não anunciou qualquer reconhecimento de Flávio como vencedor das eleições presidenciais brasileiras.
A manifestação atribuída ao integrante da administração Trump foi relatada em caráter de bastidor e não representa um comunicado diplomático formal da Casa Branca.
Trump afirma que não pretende interferir na situação brasileira
Questionado sobre a carta em que Flávio Bolsonaro reivindicava a Presidência da República, Donald Trump evitou endossar a declaração.
O presidente americano confirmou que seu governo autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos, mas afirmou que não pretende se envolver diretamente na controvérsia.
Trump também classificou a eleição brasileira como incomum e declarou considerar injusto o tratamento recebido por Flávio Bolsonaro e seus familiares.
Apesar das críticas, o republicano afirmou que não tomou partido na disputa eleitoral.
A declaração demonstra que, até o momento, o presidente dos Estados Unidos não reconheceu publicamente a reivindicação de Flávio Bolsonaro de ser o verdadeiro vencedor da eleição.
Flávio Bolsonaro altera carta após repercussão
A polêmica começou na quarta-feira (28), quando uma declaração de três páginas foi encaminhada a veículos de comunicação brasileiros e internacionais.
O documento foi distribuído em diferentes idiomas e apresentava a versão de Flávio Bolsonaro sobre sua saída do Brasil e os acontecimentos posteriores ao segundo turno das eleições.
Inicialmente, o parlamentar se identificava como o verdadeiro presidente eleito, embora o resultado oficial tenha confirmado a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Minutos depois, uma correção alterou a apresentação do senador para “líder do Brasil”.
Na carta, Flávio também afirmou que não havia abandonado os brasileiros e que pretende continuar sua atuação política mesmo estando nos Estados Unidos.
O senador não apresentou provas que comprovassem suas acusações de fraude no processo eleitoral.
Senador pretende organizar oposição a partir dos Estados Unidos
Além de contestar o resultado eleitoral, Flávio Bolsonaro indicou na carta que pretende manter contato frequente com seus apoiadores no Brasil.
Segundo o parlamentar, nos próximos dias serão apresentadas estratégias para mobilizar a oposição ao governo Lula e organizar o apoio político recebido durante a campanha presidencial.
A intenção é continuar exercendo influência sobre a política brasileira mesmo após sua saída do país.
A permanência de Flávio nos Estados Unidos, entretanto, tem provocado discussões entre integrantes do governo americano sobre os possíveis impactos diplomáticos de sua atuação política em território norte-americano.
Coletiva de imprensa em Miami foi cancelada
A expectativa inicial era de que Flávio Bolsonaro concedesse uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (29), em Miami, na Flórida.
O encontro havia sido planejado para que o senador esclarecesse as circunstâncias de sua chegada aos Estados Unidos e apresentasse os próximos passos de sua atuação política.
No entanto, a coletiva foi cancelada na tarde de quarta-feira (28), antes de sua realização.
Após o cancelamento, a carta de três páginas foi encaminhada à imprensa, tornando-se a principal manifestação pública do parlamentar sobre os acontecimentos.
Até a divulgação da reportagem, não havia confirmação de uma nova data para o pronunciamento.
Presença da família Bolsonaro nos EUA exige cautela diplomática
A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorreu após sua derrota nas eleições presidenciais e em meio a uma determinação judicial que restringia sua saída do território brasileiro.
O governo norte-americano autorizou a entrada do senador e de seus familiares, mas a situação passou a exigir atenção das autoridades responsáveis pelas relações diplomáticas com o Brasil.
Segundo a reportagem do SBT News, integrantes da administração Trump discutem como administrar a presença da família Bolsonaro no país sem comprometer a relação bilateral.
Nesse cenário, a decisão de Flávio de inicialmente se apresentar como presidente eleito ampliou a preocupação nos bastidores de Washington.
Embora Trump tenha criticado o tratamento recebido pela família Bolsonaro, o presidente americano não declarou apoio à reivindicação eleitoral do senador.
O episódio evidencia a diferença entre autorizar a permanência de um político estrangeiro nos Estados Unidos e reconhecer sua pretensão de exercer a Presidência de outro país.
Até o momento, o resultado oficial das eleições brasileiras permanece inalterado, e não houve anúncio do governo americano reconhecendo Flávio Bolsonaro como presidente eleito.

