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Economia

Polícia Federal indicia Daniel Vorcaro e mais 14 por suspeita de fraude bilionária envolvendo Banco Master e BRB

Publicado em 29/10/2026 08h47 · Por

Investigação aponta irregularidades em operações financeiras entre as instituições, que movimentaram R$ 17,5 bilhões. PF também pediu mais 60 dias para concluir perícias e aprofundar as apurações.

A Polícia Federal (PF) indiciou o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros relacionados às operações realizadas entre a instituição e o Banco de Brasília (BRB). O relatório foi encaminhado nesta quarta-feira (28) à Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Entre os investigados estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, além de executivos, ex-diretores, advogados e representantes de empresas envolvidas nas negociações.

As apurações fazem parte da Operação Compliance Zero e investigam possíveis irregularidades em operações financeiras realizadas entre 2024 e 2025, período em que o BRB tentou adquirir o Banco Master. A compra, entretanto, acabou sendo barrada pelo Banco Central.

Investigação aponta suspeitas de fraudes em operações de R$ 17,5 bilhões

Segundo informações da Polícia Federal, as instituições realizaram negociações envolvendo aproximadamente R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito.

Desse montante, cerca de R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não foi comprovada pelos investigadores.

A suspeita é de que carteiras de crédito tenham sido produzidas artificialmente e utilizadas em operações financeiras para favorecer o Banco Master, que enfrentava dificuldades de liquidez.

De acordo com o relatório policial, Daniel Vorcaro teria exercido papel central na condução das operações investigadas.

A Polícia Federal aponta indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes contra o sistema financeiro nacional.

As conclusões ainda serão avaliadas pelo Ministério Público, e os indiciamentos não representam condenações judiciais.

Ex-presidente do BRB também está entre os indiciados

Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília durante parte do período investigado, também foi incluído na relação de indiciados.

A Polícia Federal busca esclarecer a participação de dirigentes das duas instituições na negociação e aquisição das carteiras de crédito consideradas irregulares.

Além de Vorcaro e Costa, também foram indiciados Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e representantes da empresa Tirreno, apontada nas investigações como intermediária em operações envolvendo créditos sem comprovação de existência.

Segundo os investigadores, a participação de diferentes profissionais e empresas teria permitido a realização e o registro das transações financeiras questionadas.

Confira quem são os 15 indiciados pela Polícia Federal

O relatório encaminhado à Procuradoria-Geral da República apresenta os seguintes nomes:

  1. Daniel Vorcaro – ex-controlador do Banco Master.
  2. Augusto Lima – ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.
  3. Paulo Henrique Costa – ex-presidente do BRB.
  4. Henrique Souza e Silva Peretto – sócio da empresa Tirreno.
  5. André Felipe de Oliveira Seixas Maia – sócio da Tirreno.
  6. Angelo Antônio Ribeiro da Silva – diretor do Banco Master.
  7. Luiz Antônio Bull – diretor do Banco Master.
  8. Alberto Félix de Oliveira Neto – diretor do Banco Master.
  9. Allan da Silva Machado – procurador do Banco Master.
  10. Daniel Lopes Monteiro – advogado do Banco Master.
  11. Dario Oswaldo Garcia Junior – ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB.
  12. Luana de Andrade Ribeiro – ex-diretora-executiva de Controle e Riscos do BRB.
  13. Cristiane Maria Lima Bukowitz – ex-diretora-executiva de Gestão de Pessoas do BRB.
  14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira – ex-diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB.
  15. José Maria Correa Dias Junior – ex-diretor-executivo de Tecnologia do BRB.

A participação e a eventual responsabilidade criminal de cada indiciado deverão ser analisadas individualmente pelas autoridades competentes.

Banco Central barrou tentativa de compra do Banco Master

O Banco de Brasília, instituição financeira vinculada ao Governo do Distrito Federal, tentou adquirir o Banco Master durante negociações desenvolvidas entre 2024 e 2025.

A operação dependia de autorização do Banco Central, responsável pela supervisão e fiscalização do sistema financeiro brasileiro.

Entretanto, a autoridade monetária impediu a conclusão da compra.

As investigações da Polícia Federal passaram a examinar não apenas a tentativa de aquisição da instituição, mas também as operações de crédito realizadas entre os bancos.

Os investigadores buscam determinar se houve utilização de ativos inexistentes ou irregulares para movimentar recursos e beneficiar os envolvidos.

Daniel Vorcaro está preso no Distrito Federal

Daniel Vorcaro foi preso em março de 2026 durante uma etapa da Operação Compliance Zero.

O empresário permanece custodiado no estabelecimento prisional conhecido como Papudinha, no Distrito Federal.

De acordo com a investigação, Vorcaro teria participado diretamente das decisões relacionadas às negociações suspeitas e seria um dos principais beneficiários econômicos das operações destinadas a aumentar a liquidez do Banco Master.

A defesa do ex-banqueiro contesta as acusações e sustenta que não houve prejuízo ao BRB, argumentando que as carteiras de crédito questionadas foram substituídas por outros ativos.

A defesa de Paulo Henrique Costa também nega conhecimento prévio das irregularidades apontadas nas investigações.

Polícia Federal pede mais 60 dias para concluir investigação

Além de encaminhar o relatório com os 15 indiciamentos, a Polícia Federal solicitou a prorrogação das investigações por mais 60 dias.

Segundo a corporação, o prazo adicional será necessário para finalizar exames periciais, aprofundar a análise de documentos e elaborar um relatório complementar.

A solicitação deverá ser analisada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso.

A continuidade das diligências poderá esclarecer a extensão das operações investigadas e identificar eventuais novas responsabilidades.

Caso será analisado pela Procuradoria-Geral da República

Com o encaminhamento do relatório, caberá à Procuradoria-Geral da República avaliar os elementos apresentados pela Polícia Federal.

O Ministério Público poderá solicitar novas diligências, apresentar denúncia à Justiça ou adotar outras providências previstas na legislação.

Embora o indiciamento indique que a Polícia Federal encontrou elementos para atribuir suspeitas criminais aos investigados, ele não equivale à apresentação de denúncia nem a uma condenação.

O caso Banco Master continua sob investigação e envolve suspeitas de operações financeiras bilionárias que podem ter causado prejuízos ao Banco de Brasília e levantado questionamentos sobre mecanismos de controle do sistema bancário brasileiro.

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