Investigação aponta irregularidades em operações financeiras entre as instituições, que movimentaram R$ 17,5 bilhões. PF também pediu mais 60 dias para concluir perícias e aprofundar as apurações.
A Polícia Federal (PF) indiciou o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros relacionados às operações realizadas entre a instituição e o Banco de Brasília (BRB). O relatório foi encaminhado nesta quarta-feira (28) à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os investigados estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, além de executivos, ex-diretores, advogados e representantes de empresas envolvidas nas negociações.
As apurações fazem parte da Operação Compliance Zero e investigam possíveis irregularidades em operações financeiras realizadas entre 2024 e 2025, período em que o BRB tentou adquirir o Banco Master. A compra, entretanto, acabou sendo barrada pelo Banco Central.
Investigação aponta suspeitas de fraudes em operações de R$ 17,5 bilhões
Segundo informações da Polícia Federal, as instituições realizaram negociações envolvendo aproximadamente R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito.
Desse montante, cerca de R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não foi comprovada pelos investigadores.
A suspeita é de que carteiras de crédito tenham sido produzidas artificialmente e utilizadas em operações financeiras para favorecer o Banco Master, que enfrentava dificuldades de liquidez.
De acordo com o relatório policial, Daniel Vorcaro teria exercido papel central na condução das operações investigadas.
A Polícia Federal aponta indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes contra o sistema financeiro nacional.
As conclusões ainda serão avaliadas pelo Ministério Público, e os indiciamentos não representam condenações judiciais.
Ex-presidente do BRB também está entre os indiciados
Paulo Henrique Costa, que presidiu o Banco de Brasília durante parte do período investigado, também foi incluído na relação de indiciados.
A Polícia Federal busca esclarecer a participação de dirigentes das duas instituições na negociação e aquisição das carteiras de crédito consideradas irregulares.
Além de Vorcaro e Costa, também foram indiciados Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e representantes da empresa Tirreno, apontada nas investigações como intermediária em operações envolvendo créditos sem comprovação de existência.
Segundo os investigadores, a participação de diferentes profissionais e empresas teria permitido a realização e o registro das transações financeiras questionadas.
Confira quem são os 15 indiciados pela Polícia Federal
O relatório encaminhado à Procuradoria-Geral da República apresenta os seguintes nomes:
- Daniel Vorcaro – ex-controlador do Banco Master.
- Augusto Lima – ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.
- Paulo Henrique Costa – ex-presidente do BRB.
- Henrique Souza e Silva Peretto – sócio da empresa Tirreno.
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia – sócio da Tirreno.
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva – diretor do Banco Master.
- Luiz Antônio Bull – diretor do Banco Master.
- Alberto Félix de Oliveira Neto – diretor do Banco Master.
- Allan da Silva Machado – procurador do Banco Master.
- Daniel Lopes Monteiro – advogado do Banco Master.
- Dario Oswaldo Garcia Junior – ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB.
- Luana de Andrade Ribeiro – ex-diretora-executiva de Controle e Riscos do BRB.
- Cristiane Maria Lima Bukowitz – ex-diretora-executiva de Gestão de Pessoas do BRB.
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira – ex-diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB.
- José Maria Correa Dias Junior – ex-diretor-executivo de Tecnologia do BRB.
A participação e a eventual responsabilidade criminal de cada indiciado deverão ser analisadas individualmente pelas autoridades competentes.
Banco Central barrou tentativa de compra do Banco Master
O Banco de Brasília, instituição financeira vinculada ao Governo do Distrito Federal, tentou adquirir o Banco Master durante negociações desenvolvidas entre 2024 e 2025.
A operação dependia de autorização do Banco Central, responsável pela supervisão e fiscalização do sistema financeiro brasileiro.
Entretanto, a autoridade monetária impediu a conclusão da compra.
As investigações da Polícia Federal passaram a examinar não apenas a tentativa de aquisição da instituição, mas também as operações de crédito realizadas entre os bancos.
Os investigadores buscam determinar se houve utilização de ativos inexistentes ou irregulares para movimentar recursos e beneficiar os envolvidos.
Daniel Vorcaro está preso no Distrito Federal
Daniel Vorcaro foi preso em março de 2026 durante uma etapa da Operação Compliance Zero.
O empresário permanece custodiado no estabelecimento prisional conhecido como Papudinha, no Distrito Federal.
De acordo com a investigação, Vorcaro teria participado diretamente das decisões relacionadas às negociações suspeitas e seria um dos principais beneficiários econômicos das operações destinadas a aumentar a liquidez do Banco Master.
A defesa do ex-banqueiro contesta as acusações e sustenta que não houve prejuízo ao BRB, argumentando que as carteiras de crédito questionadas foram substituídas por outros ativos.
A defesa de Paulo Henrique Costa também nega conhecimento prévio das irregularidades apontadas nas investigações.
Polícia Federal pede mais 60 dias para concluir investigação
Além de encaminhar o relatório com os 15 indiciamentos, a Polícia Federal solicitou a prorrogação das investigações por mais 60 dias.
Segundo a corporação, o prazo adicional será necessário para finalizar exames periciais, aprofundar a análise de documentos e elaborar um relatório complementar.
A solicitação deverá ser analisada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso.
A continuidade das diligências poderá esclarecer a extensão das operações investigadas e identificar eventuais novas responsabilidades.
Caso será analisado pela Procuradoria-Geral da República
Com o encaminhamento do relatório, caberá à Procuradoria-Geral da República avaliar os elementos apresentados pela Polícia Federal.
O Ministério Público poderá solicitar novas diligências, apresentar denúncia à Justiça ou adotar outras providências previstas na legislação.
Embora o indiciamento indique que a Polícia Federal encontrou elementos para atribuir suspeitas criminais aos investigados, ele não equivale à apresentação de denúncia nem a uma condenação.
O caso Banco Master continua sob investigação e envolve suspeitas de operações financeiras bilionárias que podem ter causado prejuízos ao Banco de Brasília e levantado questionamentos sobre mecanismos de controle do sistema bancário brasileiro.

