Inspeções da ANEEL e do Instituto Água e Terra não identificaram risco iminente de rompimento na PCH Beira Rio. Estrutura apresenta fissuras e perda de material, e operação comercial permanece impedida até a conclusão dos reparos.
A barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Beira Rio, localizada no Rio Jaguariaíva, na divisa entre os municípios de Jaguariaíva e Sengés, nos Campos Gerais do Paraná, está sendo monitorada após a identificação de rachaduras e perda de material em sua estrutura.
A situação mobilizou representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Instituto Água e Terra (IAT) e profissionais responsáveis pelo empreendimento.
Uma reunião realizada em 27 de outubro, em Jaguariaíva, reuniu autoridades e especialistas para avaliar as condições da barragem, acompanhar os trabalhos de recuperação e discutir medidas preventivas para garantir a segurança da população.
Apesar dos problemas identificados, as avaliações técnicas realizadas até o momento não apontaram risco iminente de rompimento.
Rachaduras e perda de material preocupam autoridades
Os problemas foram identificados principalmente na parte superior da barragem, conhecida tecnicamente como crista da estrutura.
As inspeções constataram a existência de fissuras e perda de material, o que levou à necessidade de acompanhamento especializado e intervenções corretivas.
Durante a reunião, engenheiros responsáveis pelo monitoramento apresentaram informações sobre as condições estruturais da barragem.
Segundo os técnicos, a estrutura possui capacidade superior ao dobro do necessário para suportar o volume de água represado.
Também foi informado que os danos identificados na parte superior não comprometem a permeabilidade interna da barragem.
Entretanto, as autoridades ressaltaram que os problemas precisam ser corrigidos e que o monitoramento deverá continuar até a conclusão dos trabalhos.
ANEEL descarta risco iminente de rompimento
A Agência Nacional de Energia Elétrica informou que realizou inspeções visuais e avaliações com instrumentos técnicos para verificar as condições da estrutura.
De acordo com os resultados apresentados, não foram encontrados elementos que indiquem risco de ruptura iminente.
O Instituto Água e Terra do Paraná também participou das avaliações e apresentou entendimento semelhante.
Mesmo com os resultados considerados favoráveis em relação à estabilidade, os órgãos de fiscalização reforçaram a necessidade de acompanhamento permanente.
A ANEEL prevê a divulgação de um relatório de fiscalização em fevereiro, com informações sobre as condições da estrutura e os procedimentos adotados.
Usina permanece impedida de iniciar operação comercial
Em razão das irregularidades identificadas, a PCH Beira Rio permanece impedida de iniciar suas atividades comerciais.
A restrição ocorre em decorrência da atuação do Ministério Público e deverá permanecer até que as exigências relacionadas à segurança sejam cumpridas.
Entre as providências necessárias estão a conclusão das intervenções corretivas, a apresentação de relatórios técnicos e a comprovação das condições adequadas de funcionamento.
A liberação da operação comercial dependerá da avaliação dos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Dessa forma, apesar de não haver indicação de rompimento iminente, a estrutura ainda precisa atender às determinações estabelecidas pelas autoridades competentes.
Defesa Civil reforça monitoramento e comunicação com municípios
Durante a reunião, representantes da Defesa Civil destacaram a importância de manter uma comunicação constante entre os órgãos responsáveis e os municípios da região.
A preocupação envolve especialmente Jaguariaíva, Sengés e localidades próximas à área de influência do empreendimento.
Entre as medidas discutidas estão a atualização periódica dos relatórios técnicos, o compartilhamento de informações oficiais e o planejamento de ações preventivas.
Também foi solicitada a realização de treinamentos para preparar as equipes de emergência caso seja necessário algum tipo de intervenção.
O objetivo é garantir que os profissionais estejam preparados e que a população receba orientações claras sobre eventuais situações de risco.
Período de chuvas intensas exige atenção redobrada
Outro ponto discutido pelas autoridades foi a chegada de períodos de maior instabilidade climática, com possibilidade de chuvas intensas e vendavais.
Essas condições reforçam a necessidade de acompanhar o comportamento das estruturas de barragens e manter os protocolos de segurança atualizados.
As equipes de fiscalização deverão continuar avaliando as condições da PCH Beira Rio, especialmente durante episódios de precipitação elevada.
A Defesa Civil também destacou a importância de evitar a divulgação de informações não confirmadas, que podem provocar preocupação desnecessária entre os moradores.
Até o momento, as inspeções oficiais não identificaram risco iminente de rompimento.
Reunião contou com representantes de órgãos estaduais e municipais
O encontro realizado em Jaguariaíva reuniu representantes de diferentes instituições envolvidas no acompanhamento da barragem.
Participaram profissionais da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Defesas Civis municipais, Instituto Água e Terra e Agência Nacional de Energia Elétrica.
Também estiveram presentes representantes das empresas responsáveis pelo empreendimento e profissionais especializados em engenharia e monitoramento de barragens.
Entre os participantes estavam o segundo-tenente Edson Aparecido Roque e o subtenente Josmar Augusto Ferreira da Silva, da Defesa Civil regional de Ponta Grossa.
O Corpo de Bombeiros de Jaguariaíva foi representado pelo subtenente Paulo Gualdezi.
Representantes das Defesas Civis de Sengés e São José da Boa Vista também acompanharam as discussões.
A reunião buscou alinhar as informações técnicas e fortalecer a atuação conjunta dos órgãos responsáveis pela segurança da estrutura.
Barragem continuará sob fiscalização até conclusão dos reparos
As autoridades informaram que o acompanhamento da PCH Beira Rio continuará enquanto as intervenções necessárias não forem concluídas.
A prioridade é garantir que a estrutura apresente condições adequadas de segurança antes de receber autorização para iniciar a operação comercial.
Embora as análises técnicas não apontem risco imediato de rompimento, a existência de rachaduras e perda de material exige acompanhamento e manutenção.
A Defesa Civil deverá continuar monitorando a situação em conjunto com os órgãos fiscalizadores e os municípios envolvidos.
A orientação à população é acompanhar os comunicados oficiais da Defesa Civil, da ANEEL e do Instituto Água e Terra, evitando compartilhar informações sem confirmação.
O caso reforça a importância da fiscalização e da manutenção preventiva de barragens, especialmente em regiões sujeitas a chuvas intensas.
Fonte: Portal aRede, com informações da assessoria de imprensa e de órgãos de fiscalização — 3 de novembro de 2026.

