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CRISE NO PARAGUAI: Congresso suspende votação sobre renúncia do presidente Santiago Peña após abandono do plenário

Publicado em 05/11/2026 20h20 · Por

Presidente anunciou saída do cargo em meio a escândalo envolvendo o Ueno Bank. Parlamentares governistas deixaram a sessão, provocando falta de quórum e impedindo a análise da renúncia.

O Paraguai enfrenta uma crise política e financeira após o presidente Santiago Peña anunciar sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5). A decisão ocorreu em meio às repercussões de um escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira ligada a antigos sócios do chefe de Estado.

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O Congresso paraguaio chegou a iniciar os procedimentos para analisar a renúncia, mas a sessão foi suspensa após parlamentares governistas deixarem o plenário.

A saída dos deputados provocou falta de quórum, impedindo a continuidade da votação e aumentando as incertezas sobre os próximos passos políticos do país.

Santiago Peña anuncia renúncia após crise bancária

Eleito presidente do Paraguai em 2023, Santiago Peña anunciou sua decisão por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.

Na manifestação, afirmou que estava deixando o cargo em nome da estabilidade política, da paz social e da preservação das instituições democráticas.

O presidente também pediu desculpas à população e afirmou que sua prioridade passou a ser a tranquilidade dos cidadãos afetados pela crise financeira.

O anúncio ocorreu após dias de manifestações e crescente pressão política sobre o governo.

Crise no Ueno Bank levou milhares de pessoas às ruas

O principal motivo da instabilidade política está relacionado à situação do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai.

A instituição foi colocada sob intervenção depois de ser considerada insolvente, condição em que uma empresa não possui recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras.

Na terça-feira (3), milhares de paraguaios participaram de manifestações em Assunção, capital do país, exigindo acesso aos recursos mantidos no banco.

A instituição atendia quase metade da população paraguaia, estimada em aproximadamente 6,4 milhões de habitantes.

O Banco Central do Paraguai adotou medidas para limitar movimentações financeiras e, na quarta-feira (4), suspendeu temporariamente saques de determinados fundos de investimento ligados ao banco.

Clientes poderão receber antecipação de garantia

Diante da crise, o Banco Central paraguaio anunciou medidas para proteger parte dos depositantes.

Entre elas está a antecipação de recursos do Fundo de Garantia de Depósitos, com cobertura de até 40 salários mínimos, respeitadas as condições aplicáveis.

Eventuais dívidas dos clientes com a instituição poderão ser descontadas do valor disponibilizado.

A medida busca reduzir os impactos imediatos da crise sobre os correntistas e investidores.

Justiça determina prisão de oito investigados

As investigações sobre a situação financeira do Ueno Bank também avançaram na Justiça.

Oito pessoas tiveram a prisão preventiva determinada por suspeitas de envolvimento nas irregularidades apuradas.

Entre os investigados estão Juan Manuel Gustale, presidente da instituição financeira, e Federico Miguel Vázquez, diretor-executivo do banco.

As autoridades buscam esclarecer as circunstâncias que levaram à crise e identificar eventuais responsabilidades.

As prisões preventivas não representam condenações definitivas.

Congresso discutia impeachment antes da renúncia

Antes do anúncio de Santiago Peña, um processo de impeachment já avançava no Legislativo paraguaio.

O Partido Colorado, principal força da base governista, sinalizou apoio ao afastamento do presidente.

A mudança ocorreu após o agravamento da crise financeira e das acusações relacionadas à gestão do banco.

O processo exigiria aprovação de dois terços dos deputados presentes para ser encaminhado ao Senado, responsável pela etapa seguinte do julgamento político.

Entretanto, a renúncia anunciada pelo presidente alterou o cenário das discussões.

Suspensão da sessão mantém indefinição política

A reunião convocada para analisar a saída de Santiago Peña acabou interrompida após parlamentares governistas deixarem o plenário.

Sem o número mínimo de participantes, o Congresso não conseguiu concluir a análise da renúncia.

A situação mantém dúvidas sobre os procedimentos institucionais necessários para formalizar a saída do presidente.

Enquanto isso, o Paraguai enfrenta simultaneamente uma crise bancária e uma disputa política relacionada à sucessão presidencial.

Os próximos passos dependerão das decisões do Congresso e das providências adotadas pelas autoridades paraguaias.

Fonte: Jovem Pan / Estadão Conteúdo — 5 de novembro de 2026.

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