Em primeira entrevista após chegar aos Estados Unidos, senador declarou que planejou sozinho sua saída do país e negou ter recebido ajuda de governos. Viagem ocorreu apesar de determinação do STF que proibia seu deslocamento internacional.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (5) que não pretende revelar como conseguiu deixar o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais de 2026.
A declaração foi feita ao jornal norte-americano The New York Times, na primeira entrevista concedida pelo parlamentar desde sua chegada aos Estados Unidos.
Flávio afirmou que a decisão de sair do território brasileiro foi exclusivamente sua e negou ter contado com apoio de qualquer governo para organizar o deslocamento.
O senador também declarou acreditar que poderia ser preso caso permanecesse no Brasil, citando a situação judicial de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Senador afirma que não recebeu ajuda para deixar o país
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro declarou que não recebeu auxílio de governos ou autoridades para organizar sua viagem.
Questionado sobre os detalhes da operação, afirmou que pretende manter essas informações em segredo.
O senador não esclareceu quem participou do planejamento logístico nem apresentou detalhes sobre os recursos utilizados para custear o deslocamento.
A manifestação ocorreu depois de reportagens divulgarem informações sobre a contratação de uma aeronave particular para transportar Flávio e sua família até os Estados Unidos.
Viagem ocorreu após determinação do STF
A saída de Flávio Bolsonaro aconteceu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador e proibiu sua viagem internacional.
A medida foi adotada no contexto de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro.
Após o descumprimento da determinação, os documentos de viagem foram cancelados pela Polícia Federal.
Apesar das restrições, o parlamentar deixou o país acompanhado da esposa e das duas filhas.
Naquele momento, não havia ordem de prisão contra Flávio, mas a proibição de deixar o território brasileiro permanecia em vigor.
Flávio saiu do Brasil pela fronteira com a Argentina
Segundo informações divulgadas pela Jovem Pan, a viagem começou na noite de 27 de outubro.
Registros da Direção Nacional de Migrações da Argentina apontam que Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, às 22h50.
Depois de cruzar a fronteira, o senador e seus familiares seguiram para o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú.
De lá, embarcaram em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
O avião realizou uma parada para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de continuar o trajeto até Miami, na Flórida.
O pouso em território norte-americano ocorreu em 28 de outubro.
Voo particular teria sido pago por intermediário
Após a chegada do senador aos Estados Unidos, o proprietário da empresa responsável pela aeronave informou que o serviço foi contratado por um intermediário ligado ao setor aeronáutico.
Segundo o relato, o pagamento foi realizado por meio de uma conta bancária localizada nos Estados Unidos.
A informação trouxe novos questionamentos sobre a organização e o financiamento da viagem.
Entretanto, a declaração não permite concluir quem teria sido o responsável final pelos custos do deslocamento.
Flávio Bolsonaro não detalhou a contratação do avião durante a entrevista ao jornal norte-americano.
Senador afirma que acredita que seria preso no Brasil
Ao comentar os motivos de sua saída, Flávio Bolsonaro mencionou a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, à pena de 27 anos de prisão.
O parlamentar afirmou acreditar que poderia enfrentar uma situação semelhante e que essa percepção influenciou sua decisão de deixar o país.
A declaração representa a avaliação pessoal do senador sobre sua situação judicial.
A existência de investigações e medidas cautelares não equivale a uma condenação, e qualquer eventual prisão depende dos requisitos previstos na legislação brasileira e de decisão da autoridade competente.
Flávio Bolsonaro continua nos Estados Unidos
A entrevista foi concedida após dias de repercussão política envolvendo a saída do senador e seus possíveis planos de atuação no exterior.
Flávio, que disputou a Presidência da República pelo Partido Liberal, não reconheceu sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno realizado em 25 de outubro.
Após chegar aos Estados Unidos, o parlamentar também divulgou uma carta na qual inicialmente se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Posteriormente, o documento foi alterado, substituindo essa expressão por uma referência à sua atuação como líder político.
A declaração de que pretende manter em segredo os detalhes da viagem acrescenta novos questionamentos sobre as circunstâncias de sua saída do território brasileiro.
O caso continua envolvendo discussões políticas e jurídicas, especialmente sobre o descumprimento das medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Fonte: Jovem Pan, com informações do The New York Times — 5 de novembro de 2026.

