Governador eleito do Paraná classificou como “compreensível” a viagem do senador aos Estados Unidos e questionou a determinação do STF para apreensão de seus passaportes após a derrota nas eleições presidenciais.
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), manifestou apoio à decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (27), Moro classificou a saída do parlamentar como compreensível e criticou a determinação judicial que ordenou a entrega de seus passaportes.
A manifestação ocorreu depois que Flávio Bolsonaro deixou o território brasileiro com destino aos Estados Unidos, apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringia suas viagens internacionais.
Moro questionou a medida judicial adotada logo após o encerramento da disputa presidencial, na qual Flávio recebeu aproximadamente 59 milhões de votos, mas foi derrotado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moro questiona apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro
Em publicação na rede social X, antigo Twitter, Sergio Moro criticou o momento em que a medida judicial foi determinada e levantou questionamentos sobre a situação institucional do país.
O governador eleito destacou que Flávio Bolsonaro foi intimado a entregar seus documentos de viagem apenas um dia depois da eleição presidencial.
Na avaliação de Moro, a decisão do Supremo Tribunal Federal demonstra um cenário de anormalidade institucional. Por esse motivo, ele afirmou considerar compreensível a escolha do senador de deixar o Brasil.
A declaração representa um posicionamento político do governador eleito e não altera a validade da determinação judicial.
Flávio Bolsonaro teria atravessado fronteira com a Argentina
Segundo informações divulgadas pela emissora argentina Todo Noticias (TN), Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil após atravessar a fronteira com a Argentina pela região de Puerto Iguazú, município vizinho a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.
O deslocamento teria ocorrido a pé, depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador.
O portal argentino Infobae também informou que Flávio teria utilizado seu documento de identidade para entrar no país vizinho antes de embarcar em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
As informações sobre o percurso foram atribuídas aos veículos argentinos e não constituem, isoladamente, uma confirmação oficial de todas as etapas da viagem.
De acordo com a reportagem da Jovem Pan, pessoas ligadas ao governo norte-americano confirmaram a chegada do parlamentar aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas.
Polícia Federal informa descumprimento de ordem judicial
Ainda nesta terça-feira, a Polícia Federal comunicou ao ministro Alexandre de Moraes que Flávio Bolsonaro não havia cumprido a determinação de entregar seus passaportes.
Diante do descumprimento, os documentos foram cancelados no sistema de controle da instituição.
A medida judicial havia sido determinada após a derrota eleitoral do senador e estabelecia restrições à possibilidade de deixar o território brasileiro.
A Polícia Federal encaminhou as informações ao Supremo Tribunal Federal, que deverá avaliar os desdobramentos jurídicos relacionados ao episódio.
Governo dos Estados Unidos anuncia concessão de vistos
Enquanto a saída de Flávio Bolsonaro repercutia no Brasil, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederá vistos ao senador e a seus familiares.
O anúncio ocorreu após a divulgação de informações sobre a chegada da família ao território norte-americano.
A concessão dos documentos, entretanto, não significa que as determinações judiciais brasileiras tenham sido revogadas ou que eventuais consequências legais da viagem tenham sido afastadas.
Até a divulgação da reportagem, não haviam sido apresentados detalhes oficiais sobre a categoria dos vistos ou o período de permanência autorizado.
Flávio Bolsonaro não reconheceu derrota para Lula
A saída do país ocorreu dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva conquistou a reeleição.
Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal, não reconheceu a derrota eleitoral e passou a questionar o resultado da votação.
O senador também enfrenta um momento de transição em sua trajetória política. Seu mandato no Senado Federal termina em 31 de janeiro de 2027, quando deixará de contar com o foro por prerrogativa de função decorrente do cargo.
Declaração de Moro amplia repercussão política do caso
O posicionamento de Sergio Moro acrescentou um novo elemento ao debate político provocado pela saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Eleito governador do Paraná no primeiro turno das eleições de outubro, Moro criticou a atuação do Judiciário e demonstrou solidariedade ao senador.
A manifestação ocorre em meio aos questionamentos sobre o cumprimento da ordem judicial, as circunstâncias da viagem internacional e os possíveis desdobramentos do caso no Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isso, autoridades brasileiras acompanham a situação, e a saída de Flávio Bolsonaro continua provocando reações entre lideranças políticas e integrantes do Partido Liberal.

