Reeleito neste domingo (25) com cerca de 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a preparar o quarto mandato, que vai de 2027 a 2030. Lula, que completa 81 anos nos próximos dias, terá pela frente uma agenda difícil, segundo analistas ouvidos pela agência AFP.
1. Um Congresso difícil
O presidente não terá maioria no Legislativo. O PL, partido de Jair Bolsonaro, é a maior força política, com 121 dos 513 deputados e 28 dos 81 senadores. A governabilidade vai depender do Centrão, que ganhou mais independência por controlar parte do Orçamento federal por meio de emendas.
Para a cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a negociação com esses parlamentares está cada vez mais complicada justamente por essa autonomia em relação ao Executivo.
2. As contas públicas
A dívida pública já passa de 80% do PIB, o governo gasta mais do que arrecada e o Banco Central mantém uma das taxas de juros mais altas do mundo. O economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta a questão fiscal como o principal entrave e avalia que um ajuste é inevitável, mas difícil, por exigir medidas impopulares e enfrentar resistências no Congresso — além de esbarrar nos programas sociais, principal bandeira do presidente.
3. Segurança pública
A violência aparece nas pesquisas como a maior preocupação dos brasileiros. O governo terá de mostrar resultados no combate a facções e milícias, tema em que a oposição acusa Lula de fragilidade. Durante a campanha, o presidente disse que apoiaria reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.
4. Relação com os Estados Unidos e com os vizinhos
Lula também precisará recompor a relação com os Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O governo de Donald Trump impôs tarifas a produtos brasileiros no ano passado e uma nova taxa de 25% neste ano, além de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Na América do Sul, países como Argentina e Colômbia têm se aproximado de Trump.
Para Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV, a afinidade ideológica pesa em gestos simbólicos, mas tem pouca relevância prática: no caso da Argentina, por exemplo, o conteúdo da relação mudou pouco, apesar das ofensas do presidente Javier Milei a Lula.
Foto: Palácio do Planalto/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Fonte(s): AFP, Jovem Pan e TSE.
Texto produzido com auxílio de IA e revisado pela redação.

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