Entidade industrial questiona decisão do Banco Central de manter a Selic e afirma que financiamentos elevados dificultam investimentos e aumentam o endividamento de famílias e empresas.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (4), a entidade afirmou que o atual nível dos juros representa uma pressão excessiva sobre a economia brasileira.
A manifestação ocorreu após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir interromper uma sequência de cinco reduções consecutivas da taxa básica.
Indústria reclama do custo elevado dos financiamentos
Segundo a Fiesp, empresas e empreendedores enfrentam taxas de crédito próximas de 30% ao ano em determinadas operações.
A entidade argumenta que esse custo dificulta a contratação de financiamentos, a ampliação da capacidade produtiva e a realização de novos investimentos.
Na avaliação da federação, os juros elevados também contribuem para o aumento do endividamento das famílias.
Entidade pede revisão das políticas monetária e fiscal
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defendeu mudanças que permitam reduzir gradualmente o custo do dinheiro no país.
Segundo a entidade, a manutenção da Selic no patamar atual prejudica a competitividade da produção nacional.
A federação também relaciona os juros elevados ao aumento das despesas do governo com o serviço da dívida pública.
Banco Central cita riscos inflacionários
O Copom justificou sua decisão destacando que o cenário econômico exige cautela.
Segundo o Banco Central, a manutenção da Selic é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para a meta de 3%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentava variação acumulada de 4,58% em 12 meses, acima do limite de tolerância de 4,5%.
Além disso, o mercado financeiro projetava inflação de 5,22% para o encerramento de 2026.
Juros elevados afetam diferentes setores
A taxa Selic influencia operações de crédito, financiamentos, investimentos e o consumo das famílias.
Com juros elevados, empresas podem adiar projetos e consumidores tendem a enfrentar maiores custos para financiar compras.
Por outro lado, o Banco Central utiliza a política de juros para conter pressões inflacionárias e buscar estabilidade dos preços.
A decisão coloca em evidência as diferentes avaliações sobre o momento adequado para retomar a redução da taxa básica.
Fonte: Jovem Pan — 4 de novembro de 2026.

