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Economia

Dólar dispara para R$ 5,44 e registra maior valorização semanal desde a crise financeira de 2008

Publicado em 03/11/2026 12h31 · Por

Moeda americana acumulou alta de 9,04% na última semana de outubro, pressionada por incertezas sobre a política fiscal do governo Lula e pela instabilidade dos mercados internacionais. Cotação atingiu o maior nível desde dezembro de 2025.

O dólar encerrou a sexta-feira (30) cotado a R$ 5,4443, com valorização de 1,05% em relação ao real. O resultado marcou o maior valor de fechamento da moeda norte-americana desde 30 de dezembro de 2025, quando havia terminado o pregão a R$ 5,4890.

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Durante as negociações, o dólar chegou a atingir R$ 5,4621, acompanhando o movimento de queda das bolsas de valores dos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores internacionais.

A moeda americana acumulou valorização de 9,04% na semana, o maior avanço semanal desde outubro de 2008, quando os mercados financeiros enfrentavam os efeitos da crise imobiliária norte-americana.

O movimento foi impulsionado por fatores internos e externos, principalmente pelas incertezas relacionadas à política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela redução do apetite por investimentos considerados mais arriscados.

Dólar registra maior alta semanal em 18 anos

A valorização acumulada de 9,04% foi a maior desde a semana encerrada em 24 de outubro de 2008, período marcado pela crise financeira mundial.

O principal avanço ocorreu na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Lula, quando a moeda norte-americana registrou alta de 8,12%.

Na avaliação de analistas, o resultado eleitoral provocou uma reorganização das posições de investidores que haviam apostado na vitória do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL).

A movimentação foi acompanhada por um cenário internacional desfavorável, ampliando a pressão sobre o real.

Apesar da forte valorização semanal, o dólar acumulou alta de 5,20% durante outubro e encerrou o período com ganho de 0,81% em relação ao início de 2026.

Incertezas sobre política fiscal do governo Lula pressionam o real

Uma das principais preocupações do mercado financeiro está relacionada às medidas que serão adotadas pelo governo federal para controlar as despesas públicas a partir de 2027.

Segundo Ricardo Chiumento, responsável pela área de Tesouraria do Banco BS2, investidores haviam montado posições considerando a possibilidade de uma mudança na condução da política fiscal após as eleições.

Com a reeleição de Lula, parte dessas posições começou a ser desfeita, aumentando a procura pela moeda norte-americana.

O movimento ocorreu em meio a dúvidas sobre o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas.

A indefinição sobre quem assumirá o Ministério da Fazenda no próximo mandato também contribuiu para manter os investidores cautelosos.

Na avaliação de Chiumento, a recuperação da confiança do mercado dependerá de sinais mais claros sobre o controle das despesas e a sustentabilidade da dívida pública.

Escolha do novo ministro da Fazenda gera expectativa

As discussões sobre a futura equipe econômica também influenciaram o comportamento do dólar durante a semana.

Entre os nomes mencionados para assumir o Ministério da Fazenda está o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que já comandou a Secretaria da Fazenda do estado.

Na quinta-feira (29), informações sobre uma possível viagem de Lula ao Piauí para convidar Fonteles a integrar o governo contribuíram para reduzir o ritmo de valorização do dólar no fim do pregão.

Entretanto, o governador negou que tivesse conversado com o presidente sobre a ocupação de cargos no governo federal.

Fonteles também informou, por meio de suas redes sociais, que não havia uma visita presidencial agendada ao estado.

A ausência de uma definição sobre a equipe econômica mantém dúvidas sobre as prioridades fiscais e orçamentárias do próximo mandato.

Queda das ações de tecnologia nos EUA também influenciou o câmbio

Além das questões políticas brasileiras, o cenário internacional contribuiu para a desvalorização do real.

As bolsas de Nova York registraram perdas, especialmente entre empresas do setor de tecnologia, aumentando a aversão ao risco entre investidores.

O movimento foi acompanhado por preocupações relacionadas à inflação internacional, à valorização do petróleo e à possibilidade de manutenção de juros elevados nas principais economias desenvolvidas.

Quando a percepção de risco aumenta, investidores tendem a reduzir posições em moedas de países emergentes e buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Esse comportamento contribuiu para a pressão observada sobre a moeda brasileira durante a semana.

Banco Central poderá manter Selic em 13,75%

O comportamento do câmbio também passou a influenciar as expectativas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, 4 de novembro.

Segundo Ricardo Chiumento, as incertezas fiscais e a valorização do dólar reforçam a possibilidade de manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano.

A Selic é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação.

Taxas de juros elevadas podem ajudar a conter a pressão sobre os preços e tornar os investimentos em renda fixa brasileira mais atrativos.

Entretanto, também aumentam os custos de financiamento para empresas e consumidores, podendo reduzir o ritmo de crescimento da economia.

A decisão sobre a taxa dependerá da avaliação do Banco Central sobre a inflação, a atividade econômica e os riscos para os próximos meses.

Analistas avaliam possibilidade de recuperação do real

Apesar da forte valorização do dólar, parte dos especialistas considera que o movimento recente pode ter sido exagerado.

A estrategista sênior de câmbio do banco holandês ABN Amro, Georgette Boele, avaliou que o real ainda possui condições favoráveis para uma recuperação.

Entre os fatores destacados estão o compromisso do Banco Central brasileiro com o combate à inflação e o nível elevado dos juros reais no país.

Segundo a especialista, a estabilidade política e a apresentação de medidas voltadas à melhora das contas públicas poderão contribuir para reduzir a pressão sobre a moeda brasileira.

A avaliação, entretanto, não representa garantia de queda do dólar, já que a cotação depende de diversos fatores econômicos e financeiros.

Alta do dólar pode afetar preços de produtos no Brasil

A valorização da moeda norte-americana também poderá produzir efeitos sobre os preços de produtos e serviços consumidos pelos brasileiros.

Entre os setores mais sensíveis às mudanças cambiais estão combustíveis, eletrônicos, equipamentos industriais e mercadorias que dependem de componentes importados.

Empresas que possuem despesas em dólar também podem enfrentar aumento de custos, dependendo de suas estratégias de proteção cambial e dos contratos firmados.

Por outro lado, a valorização da moeda americana pode beneficiar exportadores brasileiros que recebem em dólar e possuem parte relevante dos custos em reais.

O impacto sobre a inflação dependerá da duração do movimento cambial e da intensidade com que os custos adicionais serão repassados aos consumidores.

Mercado acompanha próximos passos da equipe econômica

Após uma semana de forte volatilidade, investidores continuam atentos às sinalizações do governo federal sobre a política fiscal e a composição da equipe econômica.

A escolha do próximo ministro da Fazenda, a definição de medidas para controlar as despesas públicas e o cenário internacional deverão continuar influenciando as negociações.

Com o dólar encerrando outubro a R$ 5,4443 e registrando sua maior valorização semanal em 18 anos, o comportamento do câmbio permanece entre os principais pontos de atenção do mercado financeiro brasileiro.

Fonte: Jovem Pan / Estadão Conteúdo — reportagem publicada em 30 de outubro de 2026.

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